Galeria de mapas mentais Ensino de Matemática e Educação Matemática: significados
Este mapa mental mergulha na essência da matemática, vendo-a como um campo da ciência e pesquisa, analisando sua lógica subjacente e servindo atividades de ensino. Simultaneamente, prestar atenção às questões éticas e antropológicas na educação matemática, enfatizando que o ensino de matemática não se trata apenas de transmitir conhecimento, mas também de cultivar padrões de pensamento e valores.
Editado em 2023-06-27 02:06:19Ensino de Matemática e Educação Matemática: significados
Ensino de Matemática
Ponto de partida
Os atos lógicos do ato de ensinar
Busca entender a Matemática, tomada como ciência, ou mesmo como região de inquérito, analisando a lógica subjacente a essa ciência para poder colocar esse conhecimento a serviço da ação do ensino.
Caracteriza-se pela tarefa de intermediar o conhecimento produzido, as formas da sua produção e o conhecimento em construção do aluno.
O aspecto central desse ato intermediário é constituído pela lógica da ciência, por um lado, e pela lógica da construção do conhecimento do aluno, por outro. Estão os atos concernentes a engendrar no aluno interesse pelo que é trabalhado no ensino, de modo a mantê-lo atento e ativo
Os atos do ensino podem ser
mais abrangentes (estende-se à História da Matemática, à realidade do aluno, visando a englobar o conhecimento já desenvolvido por ele em ambiente não formal ou não escolar, etc), e mais estreitos ou restritos (restringindo-se à ciência já posta e à lógica subjacente à aprendizagem do aluno).
Dá relevância aos aspectos epistemológicos e lógicos da Matemática e do processo de aprendizagem do aluno, numa tentativa de fazer com que o aluno aprenda Matemática.
Está implícito o cuidado: Cuidado com a Matemática e com a aprendizagem da Matemática
Cuidado com o ensino, uma vez que ele reúne os atos que intermediam Matemática e Aprendizagem da Matemática. Portanto, a Educação está presente no ensino.
Educação Matemática
Ponto de partida
o cuidado com o aluno (considerando sua realidade histórica e cultural e possibilidades de vir-a-ser); cuidado com a Matemática (considerando sua história e modos de manifestar-se no cotidiano e na esfera científica); cuidado com o contexto escolar, (lugar onde a educação escolar se realiza); cuidado com o contexto social (onde as relações entre pessoas, entre grupos, entre instituições são estabelecidas e onde a pessoa educada também de um ponto de vista matemático é solicitada a situar-se, agindo como cidadão que participa das decisões e que trabalha participando das forças produtora).
Núcleo central é o cuidado com... Isso envolve pré-ocupação com os rumos que o processo educacional toma, definindo possibilidades.
Esses rumos são traçados no terreno da realidade histórica, social e política, o que solicita atenção, estudos analíticos competentes e ações interventivas apropriadas para que as direções traçadas indiquem caminhos mais seguros e para que a pessoa se eduque matematicamente.
Ou seja, possa a vir a ser um matemático ou um professor de Matemática competente, mas, antes de tudo, seja um cidadão comprometido com o seu tempo, capaz de calcular e raciocinar matematicamente e de interpretar à luz do contexto social esses cálculos e raciocínios.
Seu campo de investigação e de ação é muito amplo - nisso reside uma possível fraqueza: afastar-se da Matemática e aproximar-se da área de inquérito e de atuação da Educação.
Os que fazem Educação Matemática precisam estar constantemente em processo de análise crítica de sua ação, procurando ver no que ela contribui com a educação matemática do cidadão, de modo imediato, ao atuar diretamente com alunos ou com cidadãos, ou indiretamente, ao investigar temas de Educação Matemática; ao formar o Professor/Pesquisador de Matemática; ao investigar temas de Matemática e da produção do conhecimento matemático; ao trabalhar com questões pertinentes ao ensino de Matemática; ao investigar questões de cunho epistemológico concernentes tanto à produção da Matemática como à construção do conhecimento matemático elaborada pelo aluno.
Engloba questões referentes ao ensino de Matemática e de natureza ética e antropológica.
As questões éticas habitam a região de inquérito da Educação Matemática. As perguntas do que fazer, que decisão tomar, que caminho percorrer na mundaneidade do cuidado são constantemente postas, exigindo considerações, discussões e justificativas.
A presença do ensino na Educação Matemática se dá pela própria atividade desenvolvida na educação, de transmissão das técnicas culturais construídas ao longo da História pelas gerações de homens e mulheres.
A transmissão dos conhecimentos matemáticos produzidos e das respectivas técnicas de produção e de reprodução é uma atividade importante da Educação Matemática.
Pela ótica da Educação Matemática, esse conhecimento não pode se restringir à conformação do já produzido, mas precisa abranger a geração do novo.
A concepção da Ciência Matemática reclama por análise crítica reflexiva, na busca de abordagens que transcendam as tradicionais – logicismo, formalismo, construtivismo – e englobem o processo dinâmico de construção histórico, cultural e social dessa ciência. Tal busca caminha por direções diversas, valendo-se das análises acadêmicas, mantidas e veiculadas pela tradição, mas, também, alimentando-se em estudos históricos, antropológicos e da etnociência.
A concepção epistemológica solicita que se procure compreender a construção do conhecimento no contexto da realidade vivida pelas pessoas, em sua dimensão histórica/cultural/social. Nesse enfoque, toda a complexidade do pensamento e da linguagem mostra-se com veemência, exigindo ser ouvida, isto é, considerada, pesquisada e avaliada na perspectiva da epistemologia, tanto naquela relacionada à construção da Matemática, como na relacionada à construção do conhecimento pelo aluno. Nessa trama, os valores tidos como positivos ou negativos no contexto cultural e a ideologia neles enredada – fazendo com que a Ciência Matemática não possa ser vista como neutra, nem neutros os professores e os pesquisadores – chamam por estudos e por serem considerados nas ações interventivas.
Ações que almejam trabalhar o conteúdo ensinado do ponto de vista de sua lógica; Atos que visam a solicitar ações por parte do aluno, na medida em que se planeja, motiva, aconselha etc; Atos pertinentes à organização do trabalho efetuado na escola.
Se dirige a um alvo: a aprendizagem do aluno; Finalidade: trabalhar a lógica do conteúdo ensinado na ótica da lógica do ensino, almejando levar o outro a interessar-se e a aprender o que está sendo trabalhado; Preocupação com o outro e com o próprio conteúdo; Desejo de que o aluno aprenda e uma valorização implícita de que o que está sendo ensinado é importante, e como está sendo ensinado é um bom modo ou uma boa técnica de fazê-lo.
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trabalho do professor
Atividade de ensinar
Não há limites no Ensino de Matemática e de Educação, apenas enfoques que adquirem maior nitidez e importância conforme a perspectiva assumida pelo grupo de professores pesquisadores e de alunos que trabalham no Programa e conforme seu poder e atuação política.
ENSINO: organiza atividades que viabilizam a efetivação daquele cuidado, traduzido em formas, conteúdos e direções trabalhadas.
EDUCAÇÃO: é sempre cuidado com o vir-a-ser do outro, qualquer que seja esse outro.